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Zelda: Tears of the Kingdom roda nativo no PC em port de recompilação estática — e boa parte do código foi escrita por IA

Zelda: Tears of the Kingdom roda nativo no PC em port de recompilação estática — e boa parte do código foi escrita por IA

Saiu ontem (29/10) o TotK Recomp, uma recompilação estática de The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom que transforma o jogo de Nintendo Switch em um aplicativo nativo de Windows x86-64. Não é emulador: é um executável de verdade, compilado a partir do binário do console.

O que é recompilação estática

Um emulador traduz as instruções do console enquanto o jogo roda, e é daí que vem o engasgo de compilação de shader. Na recompilação estática o processo é feito antes: o código ARM64 do Switch é traduzido para x86-64 e compilado com um toolchain comum, sem interpretador e sem compilador dinâmico em tempo de execução.

Segundo o README do projeto, os shaders são preparados durante a instalação, não durante a partida — o que elimina o travamento inicial típico de emulador quando você entra numa área nova.

O detalhe que ninguém comentou

O repositório é público, em C, com licença MIT para o código próprio. E o README afirma, em inglês: “Most of the code and documentation is written by AI coding agents (Claude Code) under the maintainer’s direction; the maintainer plays every build and decides what is merged.” Ou seja, a maior parte do código foi escrita por agentes de IA sob direção humana — o mantenedor joga cada build e decide o que entra.

Em menos de 24 horas o repositório passou de 1.051 estrelas e o post de lançamento no r/decomps chegou a 4.471 votos e 595 comentários, com 97% de aprovação.

O que já funciona

  • Código nativo, não emulação
  • Updates 1.2.1 e 1.4.3, com saves que transitam entre as versões
  • 60 fps por padrão, com opção experimental de até 144 fps ou a taxa do monitor
  • Resoluções customizadas, supersampling e upscale com AMD FSR 1
  • Menu de configurações no jogo (F1) e overlay de performance (F10)
  • Teclado, mouse e gamepad com remapeamento, vibração e giroscópio

Requisitos

Windows 10 ou superior, processador x86-64 com AVX2, placa de vídeo com Vulkan 1.3 e a extensão VK_EXT_external_memory_host, cerca de 36 GiB livres durante a instalação (20 GiB depois). O autor cita 16 GB de RAM e 4 GB de VRAM nos testes.

Performance declarada

Os números são do próprio autor, no post de lançamento:

  • Ryzen 9 7900X + RX 9070: 70+ fps em cenas pesadas e 80–145 fps nas leves
  • Notebook i7-9750H + GTX 1050 Ti: 31–35 fps em cenas pesadas e 45–60 fps nas leves

No vídeo de demonstração, o overlay do próprio port mostra 102 FPS, shader waits de 0,00 ms e imagem de jogo em 2560×1440 sobre janela de 1920×1080 — supersampling em uso.

O que ainda falta

Linux e Steam Deck, suporte a mods feitos para emulador, proporções de tela alternativas (incluindo ultrawide) e VRR estão na lista de planejado. É uma versão beta (v0.1.1) de um projeto com um dia de vida: travamentos e bugs visuais ainda são esperados, como o próprio README avisa.

Legalidade

O repositório não traz nenhum arquivo do jogo. A licença MIT vale apenas para o código do projeto e não concede nada sobre o jogo da Nintendo. É necessário ter a própria cópia de Tears of the Kingdom, extraída do seu console, com a atualização 1.2.1 ou 1.4.3, além das suas chaves.

Ressalvas

Não instalamos nem testamos o TotK Recomp. Os números de performance são declaração do autor. Os dados do GitHub e do Reddit são um retrato de 30/10/2026 e mudam rápido. O projeto é independente, não comercial e sem vínculo com a Nintendo.

Fontes: github.com/valentderah/totk-pc-recomp (README, releases e API do GitHub) e o post de lançamento em reddit.com/r/decomps.